Um Lugar Para Ficar, Deb Caletti

Um Lugar Para Ficar
Deb Caletti | Novo Conceito | 272 págs | Skoob

O relacionamento de Clara com Christian é intenso desde o começo e diferente de tudo o que ela já havia experimentado. No entanto, o que começa como um grande afeto rapidamente se transforma em obsessão, e já é muito tarde quando Clara percebe que as coisas foram longe demais e que Christian está disposto a fazer de tudo para ficar ao seu lado. Então, Clara parte da cidade e Christian fica para trás. Ninguém sabe onde ela está, mas, mesmo assim, Clara ainda luta para se livrar do medo. Ela sabe que Christian não vai permitir que ela suma tão facilmente. Não importa para onde ela vá, nunca será longe o bastante...

Em "Um Lugar Para Ficar", Clara está passando por uma situação complicada. Ao se apaixonar por Christian, ela nunca imaginaria a proporção que o ciúme e possessão dele tomaria. Quando não consegue deixar esse relacionamento pra trás, ela e seu pai fogem para uma pequena cidade litorânea. Refugiados, os dois enfrentarão não só os monstros do presente que ainda perseguem Clara, mas também os abstratos, dentro deles mesmos, e os do passado.

Acho que nunca li um romance sobre relacionamento abusivo. Apesar de essa ser uma pauta recente e estar altamente em voga atualmente devido ao hype do feminismo, o livro é meio antigo. Deb também não é uma autora jovem e, mesmo assim, conseguiu descrever de forma muito realista como um relacionamento adolescente se desenvolve. Não achei nada forçado nem piegas demais. Parece algo que alguma amiga minha possa ter vivido.

Os capítulos são intercalados entre o presente e o passado. Em certo ponto, a história do passado chega no seu ápice e passamos a acompanhar somente o presente. Nele, Clara está Bishop Rock com o pai, resolvendo seus traumas e seus medos. No passado, ela narra sobre seu relacionamento com Christian e como, na visão dela, as coisas foram chegando àquele ponto. Achei a ideia interessante, mas a história em Bishop Rock demora muito a desenvolver. Me peguei ansiosa várias vezes para esses capítulos acabarem e ficar sabendo logo mais de como era quando Christian estava fisicamente presente.

Essa tédio no começo e meio do livro nos capítulos do presente me pareceram um erro de cálculo da autora. Fica claro em vários momentos que o foco não é a superação de um relacionamento abusivo. Nessa viagem, Clara começa a ter contato com um outro lado do pai dela, e essa relação pai/filha é bem peculiar já que, o pai dela, como personagem, é bem interessante. Eles têm uma relação única e às vezes parecem mais amigos que qualquer outra coisa. É uma pena que a enrolação em descrições poéticas demais e desnecessárias tenham se sobreposto ao enredo.

Outra coisa bastante problemática foi a revisão. Gente, tá ridícula. A Novo Conceito não teve o menor zelo com o texto. Às vezes ele chega a ficar confuso de tanto erro e vírgula mal colocada.

Como vocês podem ver, não fiquei muito animada. Adoro falar sobre esse assunto, mas o livro demorou demais pra engrenar. Gostei da pegada mais metafórica e poética, porém foi feito de um jeito muito desgastante. O livro poderia ser mais sucinto e, então, seria bem menos cansativo.

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