Sorte ou Azar?, Meg Cabot

Sorte ou Azar?
Meg Cabot | Galera Record | 288 págs. | Skoob

Mais um sucesso da mega vendedora de livros Meg Cabot. A falta de sorte parece perseguir Jinx onde quer que ela vá — e por isso ela está tão animada com a mudança para a casa dos tios, em Nova York. Talvez, do outro lado do país, Jinx consiga finalmente se livrar da má sorte. Ou, pelo menos, escape da confusão que provocou em sua pequena cidade natal. Mas logo ela percebe que não é apenas da má sorte que está fugindo. É de algo muito mais sinistro... Será que sua falta de sorte é, na verdade, um dom, e a profecia sob a qual ela viveu desde o dia que nasceu é a única coisa que poderá salvá-la?

Jean é a menina pobre de Iowa, estado americano tradicionalmente agrícola, que está se mudando para a casa dos tios ricos em Nova York. Pareceria um sonho para toda garota se não fosse um detalhe: Jean (ou Jinx, "pé-frio") é uma tremenda azarada. Coisas ruins parecem ser atraídas por ela como uma ímã e, com certeza, não será diferente na cidade nova. Prova disso é o comportamento de sua prima: Tory não é mais sua amiga brincalhona de cinco anos atrás e sim uma aborrecente insuportável envolvida com coisas pesadas - tipo drogas e bruxaria.

Todo o mistério do livro gira em torno da relação das duas primas e o motivo de Jean ter se mudado para NY (que está intimamente ligado à magia). A narradora - a própria protagonista - não é sempre sincera com o leitor porque também não é consigo mesma. Achei interessante ir descobrindo as coisas depois da Jean. O mistério está sempre ali, rondando a história, e você sabe que Jean tem as respostas. Ela só tem medo de enfrentá-las.

Apesar de ser uma história cheia de humor típica da Cabot, ter uma protagonista com quem se pode facilmente identificar, um mocinho apaixonante e todo o muito bem construído ambiente adolescente, achei que foi um livro fraco. A questão toda da bruxaria, apesar de muito presente, é superficialmente explorada e desenvolvida. Acredito que essa seja uma característica da Meg: quando se trata de elementos sobrenaturais, ela não sabe muito bem o que está fazendo. Seus romances contemporâneos são sempre incríveis, mas ultimamente ela tem vacilado um pouco quando quer entrar nas ondas da moda.

Uma coisa que me incomodou bastante foi o azar de Jean, sempre reforçado na trama. Em "A Rainha da Fofoca", outro romance da Meg, o lance da menina ser fofoqueira foi super forçado. Aconteceu com a Jean azarada. A narradora reforça o tempo inteiro que é azarada, mas não há desenvolvimento para que o leitor acredite nisso. Não basta falar, a gente precisa sentir e acreditar no que é dito. O elemento é tão forçado na trama que no clímax ele é deixado de lado.

É uma boa história pra relaxar, mas sei que Meg é capaz de construir personagens ainda mais cativantes e histórias muito mais elaboradas, por mais que sejam "apenas" YAs.

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