Elite da Tropa, Luiz Eduardo Soares; André Batista; Rodrigo Pimentel

Elite da Tropa
Luis Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel, André Batista

Objetiva | 315 páginas | Skoob

Na primeira parte do livro, concentram-se relatos impressionantes sobre o cotidiano dos policiais de elite. Na segunda, um dos nossos personagens seguirá numa trama envolvendo autoridades de segurança, traficantes, políticos e policiais - uma rede que tece alianças improváveis entre os vários atores deste cenário. Depois de cavalgar 100 quilômetros, sem arreio e sem descanso, mortos de fome e sede, eles têm licença para um descanso brevíssimo até que alguém anuncie que a comida está servida - sobre a lona, onde o grupo exaurido vai se debruçar para comer tudo o que conseguir, com as mãos, em dois minutos. Esta é apenas uma das etapas de treinamento da tropa de elite da polícia. Eles obedecem a regras estritas, as leis da guerrilha urbana. Na dúvida, mate. Não corra, não morra. Máquinas de guerra, eles foram treinados para ser a melhor tropa urbana do mundo, um grupo pequeno e fechado de homens atuando com força máxima e devastadora.

Por algum motivo, achei que esse livro fosse um documentário jornalístico ou alguma coisa do tipo, um trabalho de não-ficção. Na verdade, ele é dividido em duas partes: a primeira um conjunto de crônicas narradas sempre pelo mesmo personagem, um capitão do BOPE sem nome, negro e estudante de Direito (parece o André do filme, mas existem várias diferenças cruciais entre eles). A segunda, intitulada "a cidade beija a lona", conta uma maracutaia entre a PM, a polícia civil e autoridades políticas.

A primeira parte - Diário de Guerra - é muito interessante. O narrador conta episódios envolvendo o BOPE, desde patrulhas a interrogatórios e coisas assim. O filme é um mix dessas crônicas. O roteirista pegou alguns fatos isolados - o estudante que leva a vassourada, a operação em dia de baile funk etc - e os inseriu na trama, às vezes dando uma ordem cronológica.

Apesar de ser parecido com o filme que já está desgastado na mente dos brasileiros, o conteúdo em si ainda é um pouco chocante. O narrador não "alivia" nada. Fala em merda (no sentido literal da palavra), sangue e tripa esparramada pra todo lado. Nesse sentido, parece que o filme foi suavizado, até porque visualmente é muito mais impactante.

Já a segunda parte é meio chata. Essa parece mais com o segundo filme, pois envolve trâmites políticos e deixa um pouco o BOPE de lado, apesar de a figura dele estar sempre "pairando" o enredo. Na introdução, o narrador diz que esse relato é mais uma perspectiva do protagonismo do BOPE, mas eu achei que nessa parte o BOPE foi tudo, menos protagonista. Além disso, o final não é redondo, algumas coisas importantes não são explicadas. Os autores se contentaram em dar um fim a narração sem necessariamente explicá-la direito. Vale ressaltar que nenhum dos três autores são romancistas experientes, então talvez por isso essa segunda parte tenha ficado mal feita. E digo isso pela qualidade do desenvolvimento mesmo. O negócio é meio enrolado e como já disse, meio entendiante perto das crônicas do começo.

O conjunto foi interessante, mas acho que faltou qualidade de escrita, de produção. E talvez por isso o filme tenha feio tanto sucesso: pegaram o que há de melhor no livro - a história em si - e produziram com um ritmo diferente.

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