Deixados Para Trás, Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins

Deixados para trás
Deixados para trás #1
Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins | United Press | 416 págs. | Skoob

Este thriller psicológico, baseado no Apocalipse bíblico, tornou-se uma febre nos Estados Unidos. Neste volume, milhares de pessoas desaparecem misteriosamente. A resposta surge no decorrer da narrativa, quando descobrem que o juízo final está chegando e só os puros de coração subiriam aos céus. Para o resto da humanidade, restaram pragas diversas, terremotos e um convívio com o anticristo.


Deixados Para Trás narra um dos acontecimentos mais importantes da história mundial: o arrebatamento da Igreja. Deus levou aos céus os verdadeiros cristãos para que fossem poupados de um período de calamidade na Terra causado pela ascensão do anticristo. Durante todo o primeiro livro, a maioria da população não está ciente desse acontecimento. Ao desaparecimento dos cristãos não foi atribuída uma explicação oficial e ainda há muitas teorias. Um dos duvidosos é o piloto Rayford Steele. Rayford estava pilotando um avião quando o arrebatamento aconteceu e uma parte da história é reservada à sua jornada espiritual.

Cameron Williams estava no voo de Rayford. Ao contrário do piloto, aceitar o papel divino nos recentes acontecimentos foi um processo mais demorado para ele, que se entrega a Cristo mais pro final do livro. Como vocês podem perceber, essa história tem um cunho religioso. Pode parecer idiotice pra vocês, mas, pra mim, essa série de livros falaria do apocalipse como uma história de ação, porém claramente o é objetivo evangelizar. Isso se dá, principalmente, pelo personagem Rayford Steele. Ele tem muitas dúvidas sobre a Igreja quando o Arrebatamento acontece, mas depois de aceitar Jesus, começa a querer salvar a filha Chloe de um jeito bem incisivo, como aquele esteriótipo de evangélico que o senso comum (me incluo nessa categoria) tem na cabeça.

Confesso ter me decepcionado nesse aspecto. Não sou evangélica, católica nem nada do tipo. Não significa também que não acredito em Deus, mas com certeza não gosto de evangélicos que tentam enfiar a religião deles pela goela dos outros e pelas atitudes e discursos dos personagens principais, dá pra perceber que eles são protestantes. Por não saber da vida dos autores ou o perfil da editora, fiquei em dúvida se essa série de livros realmente quer "espalhar a palavra". A única coisa que dava uma dica era a gráfica (Imprensa da Fé). Depois descobri que um dos autores é pastor e assim todas as dúvidas foram sanadas.

Não gostei de nenhum personagem, mas odiei uma em especial: Hattie Durham. Ela é uma comissária de bordo e estava a serviço no voo de Rayford e, naquele dia, também teve contato com Cameron. Ela fica perseguindo os dois, ligando toda hora pra saber como estão. Entendo que talvez ela esteja se sentindo sozinha no meio do caos, mas depois ela começa a ter umas atitudes mais mesquinhas e eu simplesmente queria jogá-la de algum lugar bem alto.

Foi decepcionante porque eu não queria ler esse livro pra saber sobre o evangelho. Eu queria ler uma história de ação e aventura. Vejam, amo distopias: Jogos Vorazes, Delírio etc. Essa série é o preparo para uma distopia. É a destruição da Terra em si e não o que acontece depois do evento distópico. O que encontro, no entanto, é um personagem recém convertido e um que claramente será convertido no final (Cameron Williams. Nunca duvidei que ele fosse virar crente, tava muito na cara).

Mesmo com todo esse porém, a leitura foi muito bacana. Tenho muito curiosidade pela interpretação da Bíblia e esses livros são exatamente isso e o melhor: escrita de forma literária! A narrativa é gostosa, mas a tradução foi super mal-feita e há muitas passagens sem sentido. O objetivo da editora foi preservar a evangelização, deixando de lado outro aspecto muito importante: a ação. Além disso, esse primeiro livro foi meio parado, deixando os eventos catastróficos para as continuações. Mas até que faz sentido, né? Primeiro eles desenvolveram os personagens e fortaleceram sua fé.

Como já disse, boa parte do aspecto interessante da narrativa se perdeu com a tradução. E pra piorar, a diagramação também não foi das melhores. O texto nem é justificado! Isso só reforça a ideia de que a editora não estava nem um pouco interessada na literatura dos livros, o que, é claro, é muito triste.

A sensação é de que o melhor ainda estar por vir quando o apocalipse começar de fato. Fiquei muito triste pela negligência e desprezo da editora a respeito da literatura. Se esse livro tivesse sido editado com carinho, poderia chamar a atenção de mais não-cristãos e evangelizá-los meio que sem querer.

P.S.: Vou confessar que fiquei meio nervosa com o que está por vir, toda essa catástofre (nos livros). Me peguei pensando: e se for verdade, tipo, PRA VALER? Não dá um frio na espinha?

Comentários

Postagens mais visitadas