Não Sou Este Tipo de Garota, Siobhan Vivian

Não sou este tipo de garota
Siobhan Vivian | Novo Conceito | 248 págs. | Skoob

Perversa ou inofensiva? Confiável ou hipócrita? Controlada ou insensata? A vida é sobre suas decisões e escolhas, e Natalie Sterling se orgulha de sempre fazer as melhores. Ela ignora os caras populares e babacas da escola, sempre ganha medalhas de honra e está prestes a ser a primeira estudante jovem a ser presidente do conselho estudantil em anos. Se apenas todas as outras garotas fossem tão sensíveis e fortes. Como o grupo de novatas que querem ser brinquedos dos jogadores de futebol. Ou sua melhor amiga, que tomou uma decisão idiota que quase arruinou sua vida. Mas ser sensível e forte não é fácil. Não quando uma brincadeira quase a faz ser expulsa. Não quando seus conselhos dóem mais do que ajudam. Não quando um cara que ela já deu um fora se torna o cara que ela não consegue parar de pensar. A linha entre o certo e o errado foi distorcida, e cruzá-la poderá resultar em um desastre… ou se tornar a melhor escolha que ela já imaginou fazer.

Gente, o que foi esse livro? Não esperava nada dele, nadica de nada e me surpreendi de uma forma tão gostosa e brilhante que quero ler outros livros da autora.

Não Sou Este Tipo De Garota conta a história de Natalie, uma veterana exemplar do ensino médio. Ela se considera muito diferente das meninas da sua idade, suas colegas de classe, e é a queridinha da coordenadora. Cheia de responsabilidades, não tem experiências com meninos e não sente nenhuma falta disso. Sua única amiga é Autumn, uma menina meio retraída devido a um constrangimento que sofreu quando era caloura.

Esse livro vai mostrar a trajetória de Natalie nesse último ano. O plano de fundo vai ser as provas, o vestibular, o conselho estudantil e esse tipo de responsabilidade acadêmica, mas o foco de verdade são as relações de Natalie com a coordenadora, a srta. Bee, sua melhor (e única) amiga, o resto dos alunos da escola e uma certa caloura que tem uma comportamento e uma visão de mundo bem diferentes da de Natalie. Só que essas relações parecem ser - e são - extremamente influenciadas pelo machismo e feminismo.

Na verdade, eu acho que Siobhan tentou colocar esses dois elementos da forma mais sutil e despretensiosa possível, tanto que esses dois termos são citados pouquíssimas vezes durante a narrativa. Acredito que ela não queria que o livro fosse vendido como feminista ou pelo menos como algo que fale de feminismo. Muitos adolescentes ainda veem o movimenta feminista da forma distorcida que a sociedade tenta pintá-lo, principalmente os HOMENS machistas.

E falando nisso, Siobhan também retrata como mesmo meninas inteligentes e informadas podem se virar umas contra as contras por conta do machismo. Aqui Natalie percebe como talvez não seja melhor do que suas colegas, apesar de se ocupar com coisas "mais importantes", julgando as outras meninas que se envolvem em relacionamentos e gostam de mostrar o corpo e se sentirem bonitas.

Outro ponto muito bacana abordado pela autora é como o machismo é prejudicial aos homens também. Devido a ele, algumas meninas têm na cabeça que nenhum garoto presta enquanto aqueles que se importam com os sentimentos das mulheres e não fazem questão de "passar o rodo", logo recebem olhares femininos de desconfiança e masculinos de desprezo.

Falando desse jeito parece que o livro é uma briga política entre homens e mulheres, mas Siobhan teve um tato tão incrível para colocar esses elementos na história que talvez eles até passem despercebidos se você não prestar atenção. Isso combinado com a narrativa leve e fácil de entender é uma ótima saída para fazer os adolescentes pensarem na forma como eles se comportam com suas mulheres.

Adorei de verdade e me arrisco a dizer que é leitura obrigatória para pessoas de todas as idades e gêneros!

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