Os Miseráveis: Primeira Parte, Livro Oitavo

Fantine, Desforra

Depois de sair do julgamento, Jean Valjean voltou às pressas para Montreuil-sur-mer. Antes, despachou a carta ao mensageiro que buscaria Cosette enquanto ele ficaria junto de Fantine. Ela estava muito afobada, como podem imaginar, pois acreditava que a ausência do maire era destinada a busca de sua filha. Quando ele chegou, ninguém teve coragem de contradizê-la, fazendo-a acreditar que Cosette já se encontrava na cidade e que veria a menina em breve.

No tribunal, Champmathieu foi liberado, o maire reconhecido como Jean Valjean e condenado ao trabalho forçado até o fim da vida. O mandato de prisão foi expedido para Javert.

Vocês podem imaginar como Javert ficou feliz, apesar de não demonstrar num primeiro momento. Ele que sempre honrou o seu serviço e zelou pela lei quase perdeu tudo por causa desse ex-forçado. O narrador deixou claro que esse homem nunca demonstrava sentimentos, mas ele sucumbiu quando enfrentou Jean Valjean. Chegou até a dar uma risada maléfica, foi esquisito. Só sei que esse narrador tem a habilidade de manipular meus sentimentos. Quando antes eu tinha compreendido Javert por causa de sua história, no momento em que ele foi prender Jean e se vangloriou por isso, não consegui sentir nada além de ódio. É sério.

A cena ocorreu na sala onde Fantine estava "internada". A pobre achou que o inspetor estava vindo por ela e quando se levantou abruptamente da cama, seu frágil corpo não aguentou e ela caiu morta sem ter visto Cosette novamente.

Bem como eu tinha previsto.

Sinceramente, não sei como estou me sentindo em relação a esse desfecho. Esse é o último livro da primeira parte que leva o nome de Fantine. Não esperava que ela sobrevivesse, mas achei que Jean ainda viveria como Madelaine e criaria Cosette como Fantine sempre quis.

Jean escapou da prisão e foi encobertado pelas suas funcionárias (inclusive por uma que nunca mentiu na vida, somente por ele).  Foi visto saindo da cidade vestido em farrapos com um embrulho que continha os castiçais que roubou do bispo Myriel e conservou durante todo esse tempo. A riqueza que construiu em Montreuil-sur-mer foi deixada para o sacerdote local, instruído a realizar um funeral para Fantine e distribuir o dinheiro entre os pobres. Esse padre (o termo usado no livro é "cura", mas não sei o que isso significa, só que é um membro da igreja) jogou Fantine na área gratuita do cemitério, numa vala comum. Imagino que seja uma vala onde eles simplesmente jogam vários corpos, como nos túmulos coletivos quando há desastres naturais. O resto do dinheiro foi realmente destinado aos pobres ou pelo menos "a maior parte dele". Só fico imaginando o que foi feito com o que sobrou.

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