Especiais, Scott Westerfeld

ATENÇÃO! Contém spoilers para quem não leu os dois livros anteriores!

Especiais
Feios #4
Scott Westerfeld | Galera Record | 352 páginas | Skoob 

Circunstâncias especiais. As palavras dão arrepios a Tally desde seus dias como uma repugnante e revoltada Feia. Naquela época, especiais eram um boato sinistro - assustadoramente bonitos, perigosamente fortes, chocantemente rápidos. Perfeitos comuns podem viver uma vida inteira sem conhecer um especial. Mas Tally nunca foi comum. E agora ela se tornou um deles: uma super máquina de combate, construída para manter os feios humilhados e os perfeitos idiotas. A força, a velocidade, e a clareza e foco de seus pensamentos é a melhor coisa que Tally consegue lembrar. Na maior parte do tempo. Uma pequena parte do seu coração ainda se lembra de algo mais. Mesmo assim, é fácil ignorar isso - até Tally oferecer-se a acabar permanentemente com os rebeldes de New Smoke. Tudo se resume a uma escolha: escutar seu coração ou realizar a missão para que foi programada. De qualquer jeito, o mundo de Tally nunca mais será o mesmo.

Especiais foi uma grande decepção. Parecia o livro anterior com terminologias diferentes. Agora, Tally tem novas lesões no cérebro e luta para ficar "sagaz" enquanto antes, quando perfeita, tentava se manter "borbulhante". Assim como as coisas eram "falsas" na fase anterior, agora são "medíocres". A impressão é que Scott Westerfeld pegou a fórmula de Perfeitos e transferiu para esse livro sob um cenário diferente. Essa repetição me deixou sem paciência para ler. A primeira parte foi arrastada e torturante, mesmo com as cenas de ação.

Já as segunda e terceira partes melhoraram. A história começou a andar e Tally deu sinais da personagem cativante e até mesmo irritante de Feios. Algumas vezes, mais pro final, o autor tentou chamar a atenção para a protagonista, fazendo ela mesma e outros personagens questionarem sua índole, mas não deu muito certo. Apesar de narrar a história sob seu ponto de vista, Tally parece uma coadjuvante na história, estando sempre atrás dos acontecimentos, esquecida pelos amigos e tendo seu momento de luz somente no final. Ainda assim, seu heroísmo não é de conhecimento geral, ou seja, os outros personagens não estão cientes do seu êxito.

Além disso, o autor deixou esquecido um personagem que foi importante no início da trama: o David. A forma como ele é reintroduzido na vida de Tally não me satisfez. Desprezar um outro personagem que tomou muito mais a atenção de Tally nos dois últimos livros - Zane - evidenciou a incapacidade de Scott em trabalhar esse triângulo amoroso. Aliás, ele não soube trabalhar a trama inteira.

Com esse terceiro livro, o segundo pareceu mais um empecilho e uma enrolação, como se não fizesse parte do andar da carruagem para que a história terminasse onde terminou. Agora, Perfeitos parece uma encheção de linguiça e uma desnecessidade. O final de Especiais, que parece ser o fim da aventura de Tally, foi corrido e pouco trabalhado. Ao invés de ter escrito Perfeitos, o autor poderia ter enriquecido esse desfecho.

Essa história já está desgastada. Não sei o que esperar do quarto livro, mesmo o final de Especiais tendo melhorado.

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