Os Miseráveis: Primeira Parte, Livro Sétimo

Fantine, O Processo de Champmathieu

Então, Madelaine é Jean Valjean. Me senti muito idiota por não ter percebido antes. Até me perguntei porque estou me dando ao trabalho de ler uma obra tão clássica se não estou pegando coisas que aparentemente estão na cara. Isso porque o narrador começa o livro com "o leitor provavelmente já sabe que Madelaine é, na verdade, Jean Valjean". Não, sr. Victor, o leitor é burro e não sabe de nada. Depois lembrei que desconfiei seriamente dessa possibilidade no livro anterior, no último diálogo entre Madelaine e Javert. Mas, sinceramente, se eu não tivesse desconfiado naquela hora, era melhor largar a leitura de vez e quitar da vida. Dois fatos denunciaram Madelaine:

1) O luto pelo bispo Myriel. Embora ele tenha inventado uma história pro povo de Montreuil-sur-mer (que serviu na casa do bispo quando pequeno), não sei como não liguei os fatos logo de cara.

2) O fato de Madelaine sempre dar dinheiro aos meninos saboianos devido ao fato de se sentir culpado por ter "roubado" Gervásio.

3) O trecho da conversa entre ele e Javert.

A questão é agora sabemos que Champmathieu é um buxa e é claro, a consciência de Jean está pesando mais do que nunca. Essa parte da narração é muito lenta, pois Jean fica dando voltas, tentando achar argumentos para não se entregar, tentando convencer a si mesmo e talvez até Deus que permanecer como Madelaine é a decisão certa. Mas ele também conviveu com Myriel por um bom tempo, então sabe que o religioso condenaria essa postura. Mesmo assim, Jean (ou Madelaine, não faço ideia) passa horas dando voltas nesses dois lados. Apesar de ser uma parte chata, ilustra bem uma situação por qual todos passaremos um dia. Como diria Dumbledore, chega um momento em que precisamos decidir entre o certo e o fácil. E Jean escolheu o certo.

Bem no dia em que ia buscar Cosette para Fantine.

Por mais que eu quisesse que ele fosse lá e fizesse a coisa certa, mostrando que nem mesmo essa sociedade horrorosa pôde corrompê-lo mesmo depois de ter sofrido tanto, acho que ele deveria ter resolvido essa questão primeiro. Todo o futuro de Fantine depende dele. De qualquer forma, não podemos culpá-lo. Imagina como está a cabeça do cara.

O resultado é que apesar das testemunhas terem reconhecido Champmatheieu como Jean Valjean (cheguei a pensar que podia ser um de seus sobrinhos, mas o autor disse que eles não seriam mais mencionados na narrativa), Madelaine aparece no tribunal com permissão especial do juiz e depois de assistir um pouco do julgamento, revela a verdade. E antes que alguém possa digerir a informação, pois, como maire, Madelaine é muito respeitado na região, ele vai embora. E acaba aí.

O próximo livro é o último dessa parte e pelo estado crítico de saúde da Fantine, acredito que ela não resistirá para ver sua filha. E também não acho que Jean Valjean vai conseguir salvar a menina das mãos dos Thenardier.

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