Os Miseráveis: Primeira Parte, Livro Quarto

Fantine, Confiar É Por Vezes Abandonar


Esse foi o livro mais curto até agora. Como teve só três capítulos, acredito que serei breve.

A narração começa contando como duas menininhas estão brincando sob os cuidados da mãe num emaranhado de ferros abandonados. Obviamente, o autor descreveu com muitos detalhes como era esse "emaranhado". Pra mim pareceu ser uma espécie de carro, mas vou confessar não ter entendido muito, pois achei essa parte muito chata e não prestei a devida atenção. Enfim, as meninas estavam brincando lá sob a observação da mãe quando Fantine aparece.

A mulher está acabada, é claro. Ainda continua bela, porém possui aquele olhar pesado de quem sofreu tanto psicológica quanto fisicamente. Fantine carrega sua bebê no colo e, por ficar admirada com a saúde e felicidade das meninas, resolve parar para conversar com a outra mãe, a Sra. Thenardier, e faz uma proposta a ela.

Helena Bowhan é a Sra. Thenardier

Segundo o narrador, passaram-se dez meses desde a "célebre patuscada". Imagino ser uma referência ao fatídico dia no qual os rapazes partem e Fantine é abandonada, o que dá a Cosette, sua filha, um mês de vida. Porém, quando os Thernardier perguntam a idade da menina, Fantine responde que é três. Uai, como assim? Me perdi nessa parte.

Agora, Fantine está voltando para a sua terra natal em busca de trabalho. Acredita encontrar lá algum velho conhecido disposto a lhe empregar. Receosa do provável preconceito por ser mãe solteira e vendo bem cuidadas meninas, pergunta a Sra. Thenardier se essa não quer cuidar de Cosette, prometendo vir buscá-la quando se ajeitar na sua cidade. Num primeiro momento a mulher fica confusa, mas aceita quando há dinheiro envolvido na história.

Agora, gente, me respondam uma coisa: largar seus filhos com desconhecidos era uma prática comum na época ou Fantine era só retardada mesmo? Quer dizer, não retardada, é claro. Essa atitude só confirma a ingenuidade dela, tão narrada no livro anterior. Na minha cabeça, a partida de Tholomyés ensinaria alguma coisa.

Quando o casal Thenardier aceita cuidar de Cosette, logo vi merda por aí. A menina ia sofrer. E sofreu. Fantine mandava cartas todos os meses pedindo notícias da filha e os pilantras respondiam com mentiras. E, ainda por cima, pediam mais dinheiro de tempos em tempos, ameaçando contar a verdadeira natureza de Cosette (quando conheceu o casal, Fantine disse ser viúva, mas eles logo concluíram a verdade). Alegavam doenças e gastos inexistentes. Os caras davam restos para a menina e ela ainda trabalhava na estalagem, o negócio deles. Não havia maneira de Cosette dar "muitas despesas".

Isabelle Allen é Cosette quando criança

E, como se não pudesse piorar, a vizinhança parece achar os Thenardier uns de coração muito bom por cuidar de uma menina abandonada. Essa visão não combina com o apelido da pobre: cotovia, por ser tão esmirrada. Se eles veem a magreza e trabalho em excesso para alguém tão pequeno enquanto as filhas do casal são bem tratadas, como podem achar que eles cuidam de Cosette? Dessa maneira, não é surpresa de a pequena ter se transformado numa garota triste, miserável.

Somente a pobre Cotovia não cantava nunca.

Será que Cosette vai ter raiva de Fantine quando elas se reencontrarem? Será que elas vão se reencontrar? E por que Fantine ainda não foi buscar a filha se, quando finda esse livro, Cosette já tem cinco anos?

P.S.: Obviamente, Tholomyés enriqueceu e venceu na vida e, assim como a família de Jean Valjean, não mais será citado nesse livro.

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