Os Miseráveis: Primeira Parte, Livro Terceiro

Fantine, Em 1817

Finalmente aqui conhecemos quem acredito ser a personagem mais famosa de Os Miseráveis, por causa da música e tal.



O primeiro capítulo começa enumerando várias coisas inúteis, tais como o jeito de fulano assinar ou a moda para crianças de seis anos. Isso para mostrar como no ano de 1817 a revolução já estava esquecida. E nesse cenário é contada a história de quatro rapazes e quatro moças que estão aparentemente apaixonados.

Tholomyés, Listolier, Fameuil e Blachevelle são estudantes em Paris, sendo o primeiro uma espécie de líder, e namoram Fantine, Dália, Josefine e Favorita, respectivamente. Mesmo que não explicitamente, as moças são descritas como aquele estereótipo de mulher interesseira, que quer ascender por meio de casamento e coisas assim. Todas, exceto Fantine, que está verdadeiramente apaixonada por Tholomyés, um grosso e ignorante. Ela é muito bonita (loira, aliás), inocente, honesta, se veste com pudor e se impressiona com qualquer coisa. Ele é quase careca, desdentado e gosta de aparecer, além de, como já foi dito, meio que comanda os outros três rapazes.

Esse livro basicamente conta como os quatro resolvem surpreender as moças. Num bar, numa conversa que nunca foi registrada, eles tomam uma decisão e convidam as meninas para um passeio ao ar livre, visitando os arredores de Paris. É muito curioso como, mesmo que o narrador descreva cenas bonitas como os namorados passeando em meio às flores, rindo, conversando, num cenário ensolarado e pássaros cantando ao fundo, fiquei nervosa. Dá pra perceber o tempo todo que alguma coisa ruim vai acontecer.

Não é muito difícil imaginar. Ao fim do dia, depois do jantar, os idiotas entregam uma carta às moças dizendo que estão partindo para encontrar suas famílias. Elas acham engraçado e não se abalam muito porque, como expliquei, não amavam esses caras de verdade. Mas Fantine sim e foi deixada grávida por Tholomyés. Agora imaginem só: Fantine veio não se sabe de onde, sempre se sustentou sozinha, não tem família e de repente se vê com um filho que não tem pai. E o livro acaba assim, com ela chorando sozinha em seu quarto.

Não achei que essa parte trouxe reflexões tão profundas quanto as outras duas, pelo menos não que tenham a ver com a história. O narrador deixa muito claro o caráter de Josefina, Dália e Favorita, assim como também explicita que a única moça decente das quatro, a única que foi sincera sobre seus sentimentos, foi a única que se ferrou com a partida dos estudantes. Assim como Jean Valjean, Fantine sofreu com a injustiça dos homens.

P.S.: Não achei fotos dos outros casais, então acho que não foram incluídos no filme.

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