Os Miseráveis: Primeira Parte, Livro Primeiro

Então, resolvi ler Os Miseráveis.

Dá um pouquinho de vergonha chegar aos dezoito anos e quase não ter lido nenhum clássico, ainda mais porque já fiz quase um semestre de Letras e voltarei pra lá. Na verdade, meu objetivo era ler a obra antes do lançamento do filme, mas é claro que isso não aconteceu.

Bom, pra não ficar cansativo, resolvi intercalar com outras leituras, o que não vai ser difícil, pois a divisão é feita em várias partes e capítulos. Hoje vou falar da primeira parte (Fantine) e do primeiro livro (O Justo).

Colm Wilkinson é o Bispo de Digne na versão cinematográfica de 2012


Um grande erro nessa vida foi começar a ler Os Miseráveis sem nem procurar uma sinopse. Tudo o que eu sabia ia entre alguém sendo preso por causa de um pão e Anne Hathway ficando careca. Por isso fiquei animada quando vi que a primeira parte trata-se de Fantine, uma das poucas personagens que conheço. Imaginem a surpresa quando o livro ia avançando e nada da moça aparecer!

O tal "justo" do título é o bispo Myriel, um homem que tem todas as suas qualidades ressaltadas. Como vocês sabem, a Igreja era muito mais poderosa naquela época do que atualmente. O cargo de bispo era altamente privilegiado, mas Myriel dava seus rendimentos para os pobres e cedeu sua grande propriedade para o uso de um hospital. Obviamente, o cara era amado pelo povo da região e desprezado pelo resto da comunidade clériga.

Bom, mas o que ele tem a ver com Hugh Jackman e Fantine? Não faço ideia. Daí fui procurar e acho que ele é o bispo que acolhe Jean Valjean quando este sai da prisão.

Todo esse intervalo é somente sobre o bispo. O modo como levava a vida, seus hábitos, como era visto pelo povo e até seus pensamentos. Não entendi muito bem porque explicar tão explicadinho tudo sobre esse homem que, ao meu ver, é um pouco esquisito. Quantas pessoas nessa face da terra você conhece que, de bom grado, rejeitam suas riquezas e vivem somente com o indispensável em prol dos pobres? Pra mim, o bispo cometeu uma falta muito grande enquanto esteve na Itália (isso é dito logo no começo) e agora tenta se acertar com Deus, redimir sua culpa. Até foi mencionado que Myriel era uma pessoa violenta na juventude.

Além disso, ele não é 100% generoso desse jeito. O narrador parece querer nos convencer do altruísmo do personagem. Às vezes, também acho que Myriel sente orgulho de ser diferente dos outros de sua classe. Não que ele não deva sentir orgulho de suas ações, mas acho que nossas atitudes só são completamente verdadeiras se não esperamos nem reconhecimento em troca, certo? Digo isso porque ao visitar um certo senhor, Myriel se sente ultrajado por não ser tratado por "Monsenhor", título empregado aos membros da Igreja.

Esse tal senhor foi um revolucionário. Era tão desprezado pela população que o narrador nem nos diz seu nome, tratando-o apenas por "G.". Ele vivia isolado da civilização e não tinha contato com ninguém, exceto com o seu criado. O bispo só decidiu visitá-lo em seu leito de morte, quando o criado foi a cidade pedir ajuda pelo patrão. Agora vejam só, Myriel não o visitou antes por também desprezar o senhor. Um homem de Deus deve fazer distinção entre o povo? Na minha opinião, não.

Então lá se foi o bispo de Digne, conversar com o G. e adquirir algumas respostas. Na conversa, G. fez o bispo perceber que não se deve odiá-lo por ter apoiado crimes contra o Estado, sendo que o Estado cometeu crimes contra o povo e este, por sua vez, na sua ignorância, ignora esses crimes.

- Luís XVII? Ora, vejamos. Quem é que o senhor lastima? É a criança inocente? Nesse caso, estamos de acordo, porque choro com o senhor. É a criança real? Peço que me deixe refletir. Para mim, o irmão de Cartouche, menino inocente, atado à força por baixo dos braços e suspenso até o fazerem morrer, só pelo crime de ser irmão de Cartouche, não é fato menos doloroso do que o martírio porque passou o neto de Luís XV na torre do Templo, só pelo fato de ser neto de Luís XV. (...) Devemos chorar sobre todos os inocentes, sobre todos os mártires, sobre todas as crianças, sejam filhos do povo, sejam filhos do rei? De acordo. (...) Estou pronto a chorar com o senhor os filhos do rei, contanto que o senhor chore comigo os filhos do povo! (...) Mas se a balança deve inclinar para alguma parte, que seja antes para o lado dos filho do povo, porque há mais tempo que sofrem!

A partir daí, Myriel entende o ponto de vista de G. Não acho que ele tenha mudado de ideia, apenas compreendeu o lado do outro. Não entendi muito bem o que essa percepção tem a ver com a história. Na verdade, não entendi o que todo esse relato sobre Myriel tem de relevante, mas espero compreender com o decorrer da narrativa.

Sinto que pra entender esse livro por completo é estritamente necessário saber sobre a Revolução Francesa, o que pra mim é uma merda, pois não lembro nadica de nada do ensino médio.

To na merda, mas vou em frente, pesquisando as coisas aos poucos e voltando na leitura caso alguma coisa não fique clara. Me desejem sorte! :)

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