Pandemônio, Lauren Oliver

ATENÇÃO! Essa resenha contém spoilers se você não leu Delírio.


Pandemônio
Delírio #2
Lauren Oliver | Intrínseca | 301 págs. | Skoob


Dividida entre o passado — Alex, a luta pela sobrevivência na Selva — e o presente, no qual crescem as sementes de uma violenta revolução, Lena Haloway terá que lutar contra um sistema cada vez mais repressor sem, porém, se transformar em um zumbi: modo como os Inválidos se referem aos curados. Não importa o quanto o governo tema as emoções, as faíscas da revolta pouco a pouco incendeiam a sociedade, vindas de todos os lugares… inclusive de dentro.

AI. MEU. DEUS.
Desde o comecinho, a sequência de Delírio prometia. Após a fuga no fim do primeiro livro, Lena se arrasta pela zona livre de Portland sem rumo, ferida e à beira da morte. Por sorte, ela é encontrada por um grupo de Inválidos e, sem muita escolha, se junta a eles. Nesse segundo volume, ela vai perder a identidade, descobrir que existe uma resistência e ela está puta da vida.

Esse livro, pra mim, foi muito melhor que o primeiro. Antes, o foco foi a desconstrução das crenças de Lena, seu romance com Alex e a formação da ideia da fuga, que começou tímida e foi ganhando força aos poucos. Em Pandemônio, o leitor é jogado em situações de perigo o tempo todo, até porque, na Selva, a tensão é um elemento constante. Mesmo recebendo suprimentos da cidade, os Inválidos precisam se virar de todo o jeito. São ameaçados pela própria natureza e por doenças que podem ser fatais. Lauren não poupou personagens que conquistam o público, o que é incomum em YAs.

Aliás, Lauren me surpreendeu com a sua habilidade de criar suspense. O começo é bem leve, mas com o decorrer da trama e a aproximação do clímax, a narrativa é carregada de eletricidade. Sabe quando você fica com os olhos grudados no livro, sentindo o mesmo nervosismo do personagem, com o coração acelerado? Foi exatamente assim. Com o julgamento baseado em Delírio, eu não diria que Lauren era capaz de escrever dessa maneira.

Uma característica que colaborou muito para esse aspecto foi a divisão dos capítulos, que é sensacional. Ao invés de seguir uma ordem cronológica, Lauren intercalou entre "antes" e "depois". O "antes" é a vida de Lena na Selva, antes de se juntar à resistência, morar em Nova Iorque e conhecer Julian, o nosso mocinho. O "depois" é a vida dela na cidade grande, infiltrada entre os curados. Do meio para o começo, todos os capítulos terminam em pontos cruciais, mas o próximo capítulo conta outra parte da história, que é tão tensa quanto E AI MEU DEUS MUITA TENSÃO MEU DEUS. ESSA não é uma novidade, mas o modo como foi feito é sim. O último capítulo é o "agora" de Lena, sequência do último "depois".

Na resenha de Delírio, eu disse que achei Lena irritante. Nem lembro mais porquê disse isso. Em Pandemônio, ela foi bem real, como no outro livro, mas de um jeito mais agradável. A autora não teve medo de colocar atitudes mesquinhas nas mãos de sua protagonista, como se esquivar das tarefas mais pesadas na Selva. Tudo faz parte da carga emocional que a personagem carrega, depois de ter abandonado sua vida, sua família e ver Alex, a razão disso tudo, ter sido capturado. Por causa dessa compaixão que a gente sente por Lena, é difícil simpatizar com a líder dos Inválidos, Graúna.

Graúna é uma mulher forte, endurecida e muito jovem pro tipo de responsabilidade que carrega. Pela vida que leva na Selva, ela e os outros moradores podem parecer ríspidos e ignorantes às vezes. Algumas de suas atitudes me deixaram furiosa, porque eles fugiram das cidades pelo direito de amar. Na minha cabeça, a Selva seria um lugar para manifestar o amor, uma coisa meio hippie, talvez. Não faz sentido que sejam tão mau humorados assim, apesar das adversidades. Mas, no fim, a gente acaba entendendo. Não é fácil sorrir quando se passa fome, frio e medo de ser pego pelos curados.

Já Julian, o par romântico de Lena dessa vez, parece meio deslocado no início. Não faz sentido ele ocupar o lugar de Alex! Porém, com o andar da carruagem, ele acaba conquistando nossos corações. É um rapaz também forte que, apesar de levar uma vida perfeita aos olhos da sociedade, sofreu muito nas mãos do pai zumbi. Na verdade, a gente vai se apaixonando por ele na mesma medida de Lena.

Olha, eu gostei MUITO mais de Pandemônio do que Delírio. Teve muito romance, como a premissa da série promete, e teve ação também, bastante ação, tensão e suspense. Só teve um aspecto que me decepcionou e não posso falar porque é spoiler, mas vou deixar sinalizado mais embaixo pra quem quiser ler.

Faz um tempo que não me animo desse jeito com uma série :')

Existe um lugar para tudo e para todos, sabem. É esse o erro que eles cometem lá em cima. Acham que só existe lugar para algumas pessoas. Que só certos tipos de pessoa pertencem a algum lugar. Que o restante é lixo. Mas mesmo o lixo precisa ter seu lugar. Senão entulha, acumula, apodrece.

- Desabafo sobre o final do livro. Para ler, selecione o trecho abaixo -

PRA QUÊ ALEX FOI REAPARECER? PRA QUÊ, MEU DEUS???
Fiquei meio revoltada quando soube (um idiota me contou essa parte) que Lena se apaixonaria de novo. Sempre adorei o Alex e pra mim não fazia sentido Lena ficar com outra pessoa porque, pra mim, ele estava vivo. Mas, com o andar da trama de Pandemônio, fui me acostumando com a ideia de ele estar morto e, portanto, não tem porquê Lena passar o resto de seus dias sozinha. Além disso, Julian é muito fofo e parecia mesmo contaminado pelo deliria. Então pra quê Lauren foi colocar Lena nessa situação, de escolher entre dois garotos incríveis?

Não sei o que eu esperava. É isso que os YAs fazem: criam triângulos amorosos.


- Fim do trecho com spoiler -

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