Água Para Elefantes, Sara Gruen


Água Para Elefantes
Sara Gruen | Arqueiro | 272 págs. | Skoob

Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Por 70 anos Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora. Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária. Mas sua sorte muda quando seus pais morrem num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra. Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais. É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do circo. "Água para Elefantes" é tão envolvente que seus personagens continuam vivos muito depois de termos virado a última página. Sara Gruen nos transporta a um mundo misterioso e encantador, construído com tamanha riqueza de detalhes que é quase possível respirar sua atmosfera.
O livro conta a história de Jacob, um senhor muito velho que está confinado em um asilo. Esse é o destino de muitos idosos, mas a vida do nosso protagonista foi livre e intensa demais para se resumir a isso. Depois de perder seus pais em um acidente de carro durante a Depressão e, com eles, sua casa e dinheiro, o estudante de veterinária fica sem rumo e, por obra de destino, vai parar em um circo.

Um dos pontos altos do livro é esse cenário. Circos hoje são defasados, a menos que seja o du soleil. Naquela época, ainda mais num período tão economicamente ruim da história americana, circos eram recebidos com muito entusiasmo pelos cidadãos. E, dessa forma, debandava muito trabalho dos funcionários, ainda mais daqueles que não eram artistas. A autora Sara Gruen teve o cuidado de fazer uma pesquisa detalhada e inserir a cultura circense da década de 30 da melhor maneira possível, sem fazer descrições extensas e entediantes e sim de uma forma dinâmica, que te faz imaginar o cenário vivamente dentro da cabeça.

Apesar de toda essa temática interessante, o foco da trama não é esse e sim o romance entre Jacob e Marlena. Apesar de os dois personagens serem cativantes e possuírem química, a forma como essa relação foi conduzida não me convenceu. Enquanto Jacob começa como um funcionário comum do circo, limpando bosta de cavalo, Marlena é a artista que conduz a atração principal das noites de apresentação. Embora o jovem ascenda na carreira posteriormente, continua dormindo com os cavalos enquanto ela vive num vagão bem decorado, confortável e até com um pouco de luxo. Na boa, é compreensível que ele tenha se apaixonado por ela, mas o contrário não me convenceu. Mesmo assim, uma vez juntos, o casal conquista e te faz suspirar :')

Outro personagem muito interessante é o marido de Marlena, August, dono do circo. O cara é visivelmente bipolar desde o começo do livro, e os empecilhos colocados por ele para impedir a felicidade do casal principal foram colocados de maneira tal a deixar o leitor com raiva! Esse fato é muito interessante, pois num livro com o final tão previsível, aflorar as emoções do leitor é uma tarefa complicada e, se cumprida com sucesso - que foi o caso -, honorária.

Bom, falando agora um pouco dos pontos negativos, devo citar a sequência ilógica de ações que de vez em quando aparecem na narrativa. Num minuto, está acontecendo uma coisa e no seguinte, outra completamente diferente tem início. Aí você fica voltando nas páginas pra ver se perdeu alguma coisa, mas não, é aquilo mesmo. Achei isso ruim. Não sei se foi falta de habilidade da Sara ou eu que sou burra e não entendi seu estilo.

Enfim, Água Para Elefantes é um livro fofo. A elefanta Rosie, que só aparece num ponto adiantado da história, também cativa e constitui a surpresa do enredo, além de contribuir para as cenas mais engraçadinhas. Eu diria que é recomendável pra galera que, assim como eu, curte um romance com um pano de fundo mais bem trabalhado. O bom senso da autora em não se apoiar somente no casal protagonista também soube aproveitar a riqueza da cultura circense e da época na qual a história se passa.

ATENÇÃO! Se você pretende ler Água Para Elefantes, NÃO LEIA A NOTA DA AUTORA DO FINAL DO LIVRO. Ali ela conta os casos reais que a inspiraram e, portanto, possuem spoilers perigosos da trama.

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