Por que ler "O Conde de Monte-Cristo" de Alexandre Dumas Pai

Vivo em pé de guerra com os clássicos. Desculpa, gente, mas pra se entitular "leitor voraz" não basta ler muitos YAs e romances água-com-açúcar. É muito importante dar atenção aos clássicos, pois eles com certeza serviram de inspiração aos autores contemporâneos. Você acha que o universo de Harry Potter é completamente original? J.K. tirou muitos seres fantásticos de outras mitologias, a ideia não foi SÓ dela.

Enfim, tentei Dom Casmurro, Os Três Mosqueteiros, Lolita entre alguns outros e desisti de tudo. ME JULGUEM, NEM LIGO. O principal obstáculo era a linguagem rebuscada, cheia de palavras difíceis. A preguiça de recorrer ao dicionário me deixou assim, alheia a esse tipo de livro.

Pois então, até 2013 minhas únicas leituras mais ~conceituadas~ constituiam-se de Lucíola, orientada pela escola no primeiro ano do enisno médio e Orgulho e Preconceito, esse, felizmente, lido por vontade própria.

Agora, pensando melhor, talvez não tenha conseguido ler mais clássicos devido a idade. Lolita, por exemplo, foi uma tentativa lá pelos treze anos. Não só tinha pouco conhecimento para ele como também pouquíssima ou nenhuma maturidade para o tema (risos eternos). Chegou a hora, então, de me dedicar mais aos livros dos quais a gente pode olhar na cara do ouvinte e dizer "EU LI TAL LIVRO. ADORE-ME."

Esse post não tem como objetivo dizer se o livro é recomendado ou não. Ele é um clássico por um motivo, né. Estou aqui para te convencer que a história é legal, apesar da linguagem mais complicada e tudo o mais. Então, por que ler O Conde de Monte-Cristo?

Pra começar, a trama é genial. O Conde de Monte-Cristo conta a terrível história de Edmond Dantés, um humilde marinheiro que planeja se casar com uma bela catalã, mas no meio do seu caminho surgem quatro invejosos e, seja passiva ou ativamente (ui), colocam o pobre cara na cadeia. Depois de quinze anos preso, Edmond finalmente consegue se libertar, nada nos conformes da lei, é claro, e bola um plano de vingança super gradual.

É muito FODA ver como as coisas se resolvem ou se complicam por causa da politicagem vigente naquela Paris hipócrita. Quando saiu da prisão, Edmond já não era o mesmo cara. Lá, ele estudou e se requintou, estando apto, então, para se inserir na aristocracia parisiense, ou seja, na alta sociedade onde participam os marqueses, barões e conjugados. Edmond não precisou levantar nenhuma arma para se vingar (isso não é spoiler, todo mundo sabe que ele conseguiu cumprir seus objetivos). Foi tudo na base da lábia, das duas caras, entende? Muita malandragem.

Além disso, é curiosos observar como Alexandre inseriu Deus nessa história. Para sustentar seus argumentos, Edmond dizia ser um enviado de Deus, um anjo vingador. Ele realmente acreditava nisso, realmente acreditava que estava certo na sua vingança e na forma como a conduziu. E, de fato, não há como contestar: todos os seus argumentos são sustentados por passagens bíblicas.

Bom, como vocês podem imaginar, não tem ação nesse livro. É pra você pensar e premeditar os passos dos personagens, embora eles sejam um tanto quanto previsíveis. Sim, a narrativa é tão rica em detalhes que, prestando atenção, dá pra saber o que vai acontecer. Isso pode ser ruim, é verdade, mas infelizmente é a vida.

Os detalhes em excesso é um obstáculo que você precisará vencer, quase uma batalha física mesmo. Como é característica de livros antigos, O Conde de Monte-Cristo enrola demais, ao ponto de ter alguns diálogos que ficam dando voltas ao invés de ir direto ao ponto. Os personagens às vezes falam algumas coisas inúteis, que não acrescentam nada ao desenvolvimento da trama, e você fica tipo "WHAT THE FUCK, FAZ A BOLA ROLAR AÍ". Por isso, meus amigos, é preciso ter força e seguir em frente.

Isso não se limita apenas aos diálogos, se extende também a descrição dos cenários que é bem minuciosa. Dá pra imaginar as coisas solidamente na sua cabeça.

Agora, O Conde de Monte-Cristo pode até ter bastante enrolação, mas esta rende algumas risadas. Alexandre conseguiu colocar um pouco de humor na sua narrativa, o que é um ponto muito positivo. Não é nada de dar gargalhadas, é bem sutil mesmo, só pra fazer o cantinho da boca subir de leve. Porém já é um descanso num livro tão extenso.

Uma fonte constante de humor são as personagens femininas. Elas são bem mulherzinhas mesmo, do tipo que desmaiam com notícias ruins e dão gritinhos, nem um pouco corajosas. São engraçadas, pelo menos.

Fora tudo isso, as tramas paralelas também ajudam a respirar no meio da vingança extensa de Edmond. Ele fez tudo na maior paciência, sem pressa nenhuma, por isso além dos quinze anos de prisão, ainda esperou mais uns tantos para terminar essa missão. Muita coisa acontece fora da vista do marinheiro, por isso é importante prestar atenção, se não você vai se perder. São muitos personagens importantes com muitas histórias cruzadas, Dumas não jogou nenhum nome ao vento, todos eles vão reaparecer em algum momento. Portanto, divirtam-se com as subtramas, algumas são tão fantásticas como a principal e não se esqueçam delas!

Gente, não será uma leitura fácil. É um livro extenso, de mil páginas e você vai demorar pra ler. Porém, quando terminar, vai sentir seu coração mais leve. Não só porque vai poder dizer EU LI O CONDE DE MONTE-CRISTO, FUCK BITCHES, mas também por ter conseguido saber o que aconteceu com o pobre Edmond Dantés depois de tanto sofrimento.


Todos os maus bebem água,
Como bem provou o dilúvio.

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