A Culpa É Das Estrelas, John Green

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A Culpa É Das Estrelas
John Green | Intrínseca | 283 págs. | Skoob

Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.
Dizem que quando se está apaixonado, não se enxerga outra coisa além das qualidades do ser amado. Já me apaixonei muitas vezes nessa vida, mesmo com apenas dezoito anos, e, portanto, tenho aval para sustentar a veracidade desse ditato popular. Por isso tenho medo de fazer essa resenha. Não sei se serei capaz de me afastar dessa paixão, a que sinto por A Culpa É Das Estrelas, e ativar meu modo resenhista imparcial.

Se uma palavra pode descrever esse livro, essa palavra é: emocionante. Tenho lido muitos livros que não tocam no meu coração há tempos, histórias que já não me surpreendem. Vocês devem ter percebido isso pelas outras resenhas. Porém, não importa o quanto você seja insensível ao mundo, o quanto você simplesmente cague para o sentimento alheio, é impossível ler essa história e não se emocionar com ela de várias formas.

A primeira forma de emoção e mais evidente é soliderariedade para com o amor de Hazel e Augustus. Sim, essa é uma história de amor, mas não uma história de amor qualquer. É o romance entre dois adolescentes com câncer, cientes da morte iminente, sem se deixar abalar por isso. E não falo de uma perseverança clichê, aquela dos filmes de sessão da tarde. Falo de adolescentes que não perderam o senso de humor por causa do câncer e fazem questão de fazer piadas com a doença. Para eles, a consciência de que a vida vai acabar cedo não é desculpa para serem tratados como pacientes terminais coitadinhos. Embora, muitas vezes, tirem proveito dos Privilégios do Câncer mesmo assim.

A amizade que nasce entre Hazel, Gus e Isaac, um personagem secundário muito interessante, é importante por causa disso. Eles tinham uma visão diferente do câncer. Eram tratados o tempo todo como crianças coitadinhas e tinham consciência de seus problemas, mas achavam nojento a reação dos outros. Quando você trata um paciente terminal dessa forma, só fica lembrando a ele o tempo todo de sua condição.

A segunda forma de se emocionar é ficando com raiva. Raiva do rumo que as coisas levam e raiva por saber que essa história de ficção tem um fundo verdadeiro muito palpável. A gente sabe que muitas crianças e adolescente morrem de câncer todos os dias, sem poder aproveitar a vida, sem conhecer tudo o que esse mundo maravilhoso pode te oferecer. Dá raiva do Universo por castigar pessoas boas como Augustus e esse é um assunto muito abordado no livro. Por que as coisas tem de ser assim?

A terceira forma de se emocionar é ficando com medo. Não sei vocês, que já leram esse livro, se sentiram isso também. Mas eu fiquei com medo do câncer atingir as pessoas que eu amo e levá-las embora. Porque quem cuida do doente, quem é terceiro nessa situação, também sofre. E o doente sofre duas vezes, porque a doença doi e porque seus amigos e familiares estão sofrendo por ele. O câncer tá do lado da gente. Fica só espreitando e quando a gente menos espera, faz outra vítima, bem pertinho. Eu não quero sofrer nem quero que as pessoas que eu amo sofram. Não quero passar pelo o que Hazel e Augustus passaram.

Essa trama, de certa forma, é clichê sim. A diferença é como a abordagem de John Green foi feita. Fico imaginando como um homem teve a sensibilidade de escrever esse livro, com uma narradora mulher. Esse cara é um gênio. A leitura foi tão fluida, tão diferente do livro anterior que li, que acabou rápido. Rápido até demais.

Na capa de A Culpa É Das Estrelas, tem uma citação de Markus Zusak, o autor de A Menina Que Roubava Livros, que diz o seguinte: "Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais". E eu, de fato, ri. Ri das piadas de humor negro da Hazel, do Augustus e do Isaac. Chorei de raiva, de tristeza e de medo. E quis mais. Quero mais. Quero mais da Hazel e do Gus, mais do Isaac, mais do pai sensível e fofo da Hazel, mais dessa história maravilhosa e, principalmente, emocionante.

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