Como doar sangue?

Quando era mais nova, prometi a mim mesma que ao completar 18 anos, doaria sangue. Meu aniversário chegou em agosto desse ano, mas acabei esquecendo dessa promessa (risos). Daí esses dias pensei "chegou a hora, né?". Pois chegou! E lá fui eu rumo ao Hospital Universitário da UFRJ, na Ilha do Fundão.

Várias pessoas deram pra trás quando pedi companhia, porém meu namorado muito corajoso aceitou ir lá comigo pra fazer o bem. No fim ele não pôde doar porque estava fazendo uso de dorgas antibiótico, então fiquei sozinha lá na sala de doação.

Pra começar, você precisa vencer o labirinto (vulgo Hospital Universitário do Fundão) e achar um elevador que funcione. Depois vá até o terceiro andar, pegue um mapa com um dos funcionários e chegue na parte que mais usa ar-condicionado: a hemoterapia.

Então você vai na recepção e o cara lá vai pedir sua identidade e algumas informações básicas como nome completo, endereço, e-mail, se você sabe seu tipo sanguíneo. Ele te dá uma ficha e depois é só ficar esperando sua vez na triagem.

Na triagem, um enfermeiro vai perguntar sua altura, seu peso (NÃO VALE MENTIR, HEIN, MULHERADA), fazer um furinho bem pequenininho no seu dedo pra medir alguma taxa lá, tirar sua pressão e temperatura. Anotar essas informações na sua ficha e te encaminhar para a entrevista.

A entrevista já é numa sala fechada, só você e a enfermeira, pra te dar mais privacidade. As perguntas que ela fez estavam no verso da ficha. São coisas como "você bebe? Fuma? Transa loucamente? Usa drogas? Esteve fora do país recentemente? Tem tatuagem? Piercing? Alergias?". Responda-as com sinceridade, até porque ela vai perguntar se você respondeu tudo com a verdade. Olha, não sei vocês, mas se eu estivesse mentindo, não responderia que não.

É nessa hora que vão te dar o "passe" pra doação. Como recebi um sim, passei numa cantina pra tomar um copo de suco super açucarado pra em seguida:



CACETE DE AGULHA AHSUAHSUAHSUHAUSH

É brincadeira, gente. A agulha é realmente mais espessa do que o normal pra você não ficar lá sentado trezentas horas enchendo a bolsa, mas não é tudo isso de dor não. Quando a enfermeira aplica o álcool antes de furar teu braço, é aplicado um creme anestésico. Eu pelo menos não senti nada =)

O cara que tava comigo na sala começou a passar mal durante o processo. Ficou pálido, a mão tremendo... Aí a enfermeira inclinou a cadeira para a cabeça dele ficasse mais baixa que os pés e interrompeu a doação rapidinho, então o rapaz foi melhorando... Acredito que isso seja comum, então não se sinta envergonhado se acontecer na sua vez.

Já eu, como sou muito foda, não senti nada. Saí caminhando, tranquila, até a cantina pra fazer um lanche. Eles me deram um pão, um potinho com manteiga sem sal, um potinho com fruta (não sei qual era), ponlenguinho e o mesmo suco açucarado. Também me orientaram a não fazer atividade física no dia da doação e beber muito, muito líquido pra repor o volume perdido. Mole, mole, né? :D

Como estava me sentindo 100%, pedi ao meu namorado pra irmos até o CCS, o prédio de Medicina e outros cursos de saúde da UFRJ, pra eu depositar um dinheiro no banco. Era umas 11h30, mais ou menos, uns 36º, mas me sentia bem. Chegamos no banco, botei o dinheiro no envelope e fui pra fila do caixa. Véi... VÉI! Minha visão começou a ficar com vários pontinhos pretos e meu ouvido começou a fazer piiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Pensei "pronto, vou desmaiar, tava indo tão bem..."

- Não to me sentindo muito bem - digo pro meu namorado.
- É sério?!
- Uhum...

Ele meio que entrou em pânico e me fez sentar numa cadeira, surda e cega HASUHAUSHAUSHAUHSUHA Por isso, uma das minha maiores recomendações é: vá acompanhado de alguém que não irá doar sangue. Imagina se os dois passam mal ao mesmo tempo, quem vai segurar o tranco? No meu caso, ele estava lá comigo, então se tivesse desmaiado, teria alguém pra me segurar rs O que não foi o caso, porque sentei lá na cadeira e depois entrei na agência pra usufruir do ar condicionado, além de uma funcionária super simpática (e grávida) que me trouxe um copo de água.

Se você se inspirou pela minha saga sanguínea, procure a universidade pública da sua cidade e se dirija ao hospital universitário. Se for aluno de lá, provavelmente ganhará alguma menção honrosa, um selo, algo do tipo. Aqui no Rio de Janeiro, além da UFRJ, você pode procurar a UERJ, o hospital do câncer (INCA) e o Hemorio. Para outras regiões do país, clique aqui e veja a localização do hemocentro da sua cidade. Se o lugar onde você mora não consta na lista, PROCURA NO GOOGLE.

A única coisa que senti depois daquele semi-desmaio foi uma dor de cabeça fininha e chata. Dormi um pouco quando cheguei em casa, achando que iria melhorar, mas não funcionou. No dia seguinte não senti mais nada.

É isso, galera. Espero que minha iniciativa tenha inspirado vocês. É rapidim, não dói e você só vai se sentir mal se for idiota que nem eu e andar no sol meio-dia. É uma atitude muito simples e fácil. A galera dos centros de doação é super simpática porque né, não se encontra sangue pra vender na esquina.

Fica a dica! ;)

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