A Canção do Súcubo, Richelle Mead


A Canção do Súcubo
Georgina Kincaid - Livro 1
Richelle Mead | Essência | 299 págs. | Skoob


Súcubo (s.m.) - Fascinante criatura do mal, so sexo feminino. Capaz de mudar de forma: seduz e dá prazer a homens mortais.
Patética (adj.f.) Um súcubo com sapatos fantásticos e sem nenhuma vida social. Ver: Georgina Kincaid.

Richelle Mead é uma verdadeira sensação. No mundo só se fala em seu nome quando o assunto é o universo fantástico. Mas a A Canção do Súcubo não é apenas uma história de fantasia. Longe disso. Neste romance mais do que inusitado, em que demônios, vampiros e anjos caídos convivem com mortais, a autora surpreende com o vigor de sua imaginação.

No centro da história está Georgina Kincaid, uma mulher não apenas poderosa, mas glamorosa. Ela tem todos os homens a seus pés, mas não pode ter o único homem que deseja. Se ceder aos seus impulsos, pode levar seu amado à morte. Mas como resistir a Seth Mortensen, o famoso e sexy escritor que o destino colocou no seu caminho?

O mundo de um súcubo pode parecer um inferno pra quem vê de fora, mas na verdade é delicioso para quem se deixar levar. Toda mulher tem seu lado súcubo...

Já tinha tentado ler A Canção do Súcubo antes, mas não estava na vibe de Richelle Mead, não sei porquê. Só consegui continuar a leitura na segunda tentativa e me arrependo de ter demorado tanto para descobrir essa história incrível.

Pra começar, essa saga segue a receita infalível da autora que, na minha opinião, alavancou o sucesso de Vampire Academy: uma trama carregada de romance e ação - nesse caso, substitua a ação por mistério -, sem pesar em nenhum dos lados, além de uma protagonista humana. Quando digo isso, quero dizer uma pessoa real. Alguém de boa índole e bom caráter, porém mesmo assim pode, às vezes, escorregar e tomar decisões egoístas, frívolas e mesquinhas.

Nesse ponto, a marca registrada da autora fica clara. Georgina tem muito de Rose Hathway. Batalhas mentais travadas entre o que se quer e o que é certo, uma língua afiada e um corpo de deixar com inveja até Gisele Bündchen. Algumas pessoas podem se sentir incomodadas com essa repetição de personalidade, mas não vejo assim. Como disse, é uma assinatura da Richelle, todo autor tem uma. Além disso, os contextos são completamente diferentes, então esse fato fica meio apagado.

A trama segue simultaneamente duas linhas. A primeira conta o mistério mencionado anteriormente. Alguém, provavelmente outro imortal, está assassinando colegas de inferno e Georgina se torna uma das primeiras suspeitas. Mesmo depois de se livrar da culpa, ela não consegue sossegar a bunda na cadeira (pensei em uma piada inapropriada para menores, melhor ficar quieta) e segue atrás de pistas, querendo desvendar o assassino.

A segunda linha é mais emocional e está direta e profundamente ligada a Georgina. Um súcubo precisa se alimentar da energia vital de humanos. Para isso, é preciso seduzir a vítima. Se apenas um beijo é capaz de deixar uma pessoa em coma, imaginem as consequências de uma relação sexual. O pior de tudo é que a energia sugada é diretamente proporcional a índole da vítima. Quanto mais bacana a pessoa for, mais energia é tirada dela.

Georgina luta contra essa natureza assassina fazendo de suas vítimas apenas homens que, por algum motivo, mereceriam esse infortúnio. Mas o que acontece, então, se ela se apaixona por alguém legal? Qual é a solução? Não há solução, colega. Georgina precisa lutar contra esse sentimentos se quer preservar a integridade física do amado. Bem aí o egoísmo fala mais alto, às vezes.

Um ponto muito comentado nesse livro foi o teor mais adulto. Richelle nunca teve medo de explorar esse lado, mesmo em VA, uma série voltada para adolescentes. Aqui ela se aventura um pouco mais, dando um ar mais lascivo. As cenas de sexo não contém palavras explícitas, mas são bem detalhadas. Mesmo assim, não achei GRANDE coisa, ainda mais porque são poucas cenas de sexo. Digamos que ela enveredou mais pela qualidade do que pela quantidade. Os mais conservadores, porém, vão querer passar longe com certeza.

Georgina Kincaid é uma personagem cheia de manias estranhas para um súcubo e falas engraçadas. Não me decepcionei. Adorei a história! Como já disse um milhão de vezes, contém a dose certa de romance, sem ficar enjoativo. A dose certa de putaria, sem ficar apelativo. E a dose certa de mistério, para sustentar a trama. A Canção do Súcubo me deixou curiosa pela continuação, sem dúvidas.

Boa leitura! =)

P.S.: Não tenho certeza, mas acho que esse é o primeiro livro da editora que leio. Gostei muito do trabalho deles. Só lembro de um erro de digitação, "forca" ao invés de "força". Fora isso, nada de mais. Não coloquei essa parte na resenha em si porque bem, não acho que seja nossa obrigação parabenizar as editoras por uma boa tradução ou revisão. A editora é quem tem a obrigação de fornecer esses serviços ao cliente/leitor. É a mesma coisa que elogiar um político por ser honesto. Pensem nisso ;)

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