Te Amo Te Odeio Sinto Tua Falta, Elizabeth Scott

Te Amo Te Odeio Sinto Tua Falta
Elizabeth Scott | 179 págs. | Editora Underworld | 2012


Já se passaram 75 dias. Amy está cansada do interesse súbito que seus pais tomaram nela. E ela está realmente cansada das pessoas perguntando por Julia. Julia se foi, e ela não quer falar sobre isso. Eles não entenderiam, de qualquer maneira. Eles não entenderiam como é ter sua melhor amiga arrancada de você. Eles não entenderiam como é saber que foi sua culpa. O terapeuta de Amy acha que ajudaria se ela escrevesse um diário. Ao invés disso, Amy começa a escrever cartas para Julia. Mas à medida que escreve as cartas, ela começa a perceber que o passado não foi tão perfeito como ela pensava - e que o presente merece uma chance também.

Amy vive sob sombra de Julia, sua melhor amiga, mas não reconhece isso. Ela considera Julia uma pessoa fenomenal, maravilhosa, quase perfeita. Considera essa amizade uma via de mão única, onde Julia nunca a decepcionou, mas Amy já o fez. Ela acredita, inclusive, ter matado a melhor amiga. E a história começa a partir daí.

Passamos uma boa parte do livro sem saber como aconteceu o acidente e sem saber porque Amy se sente tão culpada. Sabemos apenas que se trata de um acidente de carro. E se foi um acidente por que Amy acredita ser uma assassina? Pra mim, esse mistério só seria revelado no final do livro, mas sabemos da verdade lá pela metade, quando ela tem uma conversa com os pais sobre os detalhes do acidente. Aliás, os pais de Amy também são um ponto importante do livro.

Isso porque os caras são nojentos. Nunca vi um casal desse tipo na vida real. Um casal que, mesmo depois de tantos anos, ainda se ama profundamente. Os dois vivem de chamego, beijos e namoro pela casa, na frente de Amy, e não ligam muito pra filha. Não se importam em saber aonde ela vai nem o que vai fazer. Os dois nem sabem do lado alcoólatra dela! Esse foi um fato muito chocante. Por causa desse descaso, Amy não consegue aceitar todo o esforço feito pelo casal para fazê-la se sentir melhor. Eles passam a realmente prestar atenção nela. E tudo parece muito fingido, fake. Mas vocês sabem, adolescentes geralmente não enxergam nada além da própria razão. Têm raiva de tudo e embora Amy tenha motivos para ficar com raiva dos, acredito que ela estava cega pela tristeza da morte de Julia.

Um ponto muito ruim do livro foi a sinopse. O trecho "ela começa a perceber que o passado não foi tão perfeito como ela pensava" deixa a entender a cegueira de Amy em relação a Julia. Nos faz acreditar que Julia talvez até fosse uma amiga falsa e Amy nunca tinha percebido. Pelo menos pensei assim quando li essa parte, mas é muito diferente disso. Amy está certa sobre a reciprocidade da amizade, ela só entende algumas atitudes de Julia e enxerga alguns defeitos passados despercebidos esses anos todos.

O livro todo gira em torno da recuperação de Amy. Não só do vício em álcool, mas na recuperação psicológica. Ela perdeu a melhor amiga, logo está abalada. Sente raiva de si mesma e acredita merecer toda a infelicidade pela qual está passando. Elizabeth Scott narra a importância do tratamento acompanhado - psicólogos, grupos de apoio etc -, mostra como às vezes ficamos cegos de amor não só sob uma ótica romântica, mas em todas as formas de amor.

Como já disse na resenha de Menina Morta-Viva, essa autora coloca bastante carga psicológica em suas tramas. Apesar disso, não achei a narrativa pesada, muito pelo contrário. A linguagem é simples, fluida e leve. Diferente do outro livro, esse não é tão emocionalmente pesado. Amy passou por coisas que vemos todos os dias, então o choque é menor.

A editora, como sempre, caprichou na diagramação e capa. Não tenho nada pra reclamar em relação à revisão, como venho fazendo sempre (chata), só faço um obs quanto ao uso excessivo de "que", mas nem tenho muita moral pra falar disso, como vocês podem perceber :P

Enfim, adorei Te Amo Te Odeio Sinto Tua Falta. Mais uma vez, julguei o livro pela quantidade de páginas e isso só me faz lembrar de uma coisa que percebi enquanto lia Menina Morta-Viva: Elizabeth tem o dom de encaixar uma história fantástica, cheia de significado, em um livro pequeno. Quem ama dramas psicológicos e discussões internas a la Katniss vai adorar =)

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