Os e-books no Brasil


No começo do ano, quando as aulas ainda estavam por começar, um amigo me fez a seguinte pergunta "Natália, você acha que vale a pena comprar um tablet pra usar na faculdade?". Minha primeira reação foi ficar surpresa. Nunca tinha passado pela minha cabeça gastar dinheiro com isso. Os bons aparelhos custam o preço do meu fígado no mercado negro e os mais baratos não são lá essas coisas. Além disso, quem garantiria a ele que os livros necessários estariam disponíveis na versão digital? Respondi "Deixa isso pra lá, cara". E bem decidida.

Hoje, depois de ler uma notícia sobre o mercado de e-books no Brasil, decidir compartilhar o assunto com vocês. O site da revista Exame, uma publicação voltada para o mundo dos negócios, entrevistou Duda Ernanny, dono e fundador da Gato Sabido, a primeira livraria digital do Brasil. Fiquei surpresa ao ver que o cara parece muito otimista em relação ao crescimento do ramo. “Até 2015, o livro digital já vai ter ultrapassado o físico em volume de vendas no Brasil”, diz ele. Vei, 2015 tá batendo na porta já. Será?

Um dos nosso grandes obstáculos é o preço dos leitores. Primeiro que o Kindle da Amazon, considerado melhor e-reader da atualidade, nem chegou no Brasil. O resto dos tablets beira os mil reais e a maioria da população não tem grana pra gastar com isso. Sem contar que, como disse lá em cima, os aparelhos vendidos a um preço razoável não valem o custo-benefício, pois não rodam nossos joguinhos preferidos, não suportam conexão 3G e cê precisa furar a tela pra conseguir clicar nas coisas. Tá faltando um iPad ou Galaxy Tab a preço acessível.

O segundo maior obstáculo é: vale a pena comprar um livro digital? Visitem a Gato Sabido e comparem os preços dos e-books com os livros físicos. É quase a mesma coisa! Você, leitor voraz, prefere pegar e sentir o cheiro do papel ou carregar menos peso e ler tudo através de uma telinha?

O terceiro maior obstáculo é mais uma consequência do tamanho do mercado no Brasil: a variedade. O acervo de livros digitais ainda é muito pequeno se comparado ao do exterior, embora muitas editoras já tenham aderido a projetos para reverter seus catálogos. Algumas até se uniram e criaram uma empresa, a Distribuidora de Livros Digitais.

Obviamente, a palavra do Ernanny vale mais que a minha. O cara tem um negócio sobre isso, é pioneiro no assunto, sabe das coisas. Mas eu, como leitora e consumidora, estou meio cética. O mercado vai crescer, isso é fato. Um dia, se os deuses forem bons, os tablets caberão nos nossos bolsos. Mas superar o mercado físico até 2015? Sei não.

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