Sereia, Tricia Rayburn

Quando chega o verão, a família Sands sai de Boston para curtir a temporada em Winter Harbor, uma pequena cidade da Costa Leste. As irmãs Vanessa e Justine construíram amizade com os Carmichael, moradores de WB e vizinho das meninas. Eles passam as férias sempre juntos entre dvds com pipoca e puladas de penhascos. Sim, apesar de Vanessa ser muito medrosa para esse tipo de coisa (e qualquer gênero de aventura), Justine não dispensa uma adrenalina. E numa dessas ela acabou se dando mal.

Justine foi encontrada morta nos penhascos. Os policiais e legistas dizem ser resultado de uma imprudência rebelde, mas Vanessa não acredita nisso. Ela conhecia a irmã bem demais para saber que Justine nunca faria uma coisa tão idiota como pular do penhasco no meio de uma tempestade. Para descobrir a verdade sobre aquela noite, Vanessa volta a Winter Harbor e se une a Simon Charmichael para desvendar esse mistério e achar Caleb, o namorado desparecido de Justine.

"Sereia" é um romance diferente. Na época da bienal, quando o comprei, esse foi o único livro sobre o tema que eu sabia da existência. Fiquei animada, pois ao dar uma folheada, ele parecia super bem escrito. Apesar disso, vi muitas resenhas elogiando a história, mas tirando pontos da forma como foi narrada. Aqui vai minha opinião:

Tricia narra tudo do ponto de vista de Vanessa, a garota mais medrosa do mundo. Bom, essa é a descrição, mas por que ela não age dessa forma? Quem tem medo até da própria sombra não pega um carro sozinha e sai dirigindo pela interestadual, depois da morte muito estranha da irmã, até uma casa de veraneio vazia. Depois não se mete a fundo em um mistério sem fim, cada vez mais perigoso, contando somente com a ajuda de um universitário nerd e lindo. A descrição da personalidade de Vanessa não condizia com suas atitudes. Tricia quis que nós leitores acreditássemos nas fobias da gariota, mas criou uma personagem muito corajosa pro meu gosto.

Além disso, a narrativa em primeira pessoa não está em sintonia com o leitor. Vanessa está fazendo suas ponderações e de repente faz uma pergunta completamente nada a ver com o assunto discutido anteriormente. Aí você pensa "WTF? Por que ela perguntou isso?!" e precisa se virar pra entender a linha de pensamento dela nos momentos seguintes. Isso me irritou muito porque depois de ler Suzanne Collins e estar completamente a par dos planos de Katniss na trilogia de "Jogos Vorazes", não me senti a vontade com a confusão criada não na vida de Vanessa Sands, mas na minha cabeça. Não me senti nadinha próxima da protagonista.

Pra dar uns pontinhos a mais a Tricia, podemos falar da trama, que é muito boa. Não só porque as sereias não estão saturadas no mercado como vampiros, mas também porque essas sereias, as de Tricia, são clássicas com uns toques modernos. Achei muito interessante toda a situação envolvendo as criaturas, mas só o título já deu muitas dicas sobre os porquês. Um deles é desvendar as sereias, mas o leitor já está ciente delas porque bom, OLHA O TÍTULO. Tá na cara, né. E não é só isso. Muitas situações são previsíveis. Já dá pra sacar qual é o desfecho de algumas e suas ligações com o resto da história de primeira. Não é uma coisa clichê, só óbvia demais. No começo, todas as coisas estranhas de Winter Harbor parecem não ter ligação nenhuma, mas você, experiente leitor, sabe muito bem que tratam-se de um problema só.

Então se a história é previsível, por que ler? Porque nem todas as respostas são respondidas. Lá bem pro meião, quase chegando na parte final, começam a vir mais e mais perguntas em torno de Vanessa. A trama é organizada em cima do problema central, que envolve toda a Winter Harbor, e tem os mistérios paralelos, que envolvem somente a Vanessa. O livro termina com parte de tudo resolvido e deixa muitas brechas interessantes para a continuação, ainda sem previsão para ser lançada no Brasil, até onde sei.

Enfim, "Sereia" é bom, mas não é. POLÊMICA PRAS VOCÊS.

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