A Vidente, Hannah Howell

Oi, gente!
Andei sumida com os livros porque o colégio está naquela reta final assustadora e estou tendo certos probleminhas com as exatas... Mas tudo será resolvido!

"A Sensitiva", o segundo livro da trilogia Wherlocke, estava na minha lista da Bienal. Cheguei no estande da Lua de Papel e o vi lá, ao lado de "A Vidente". Não sabia dos detalhes das fitinhas (pra quem não sabe, há um par de fitas de cetim, com as quais amarra-se o livro num laço, como se estivesse selando-o) e achei encantador! Foi só um motivo a mais pra comprar. Depois, quando cheguei em casa e fui olhar algumas resenhas, descobri que esse era o segundo volume da série! Se vocês repararem, não há nenhuma indicação desse gênero na capa nem em lugar nenhum, a não ser na sinopse onde diz "Deixe-se levar por mais uma emocionante história da família Wherlocke". Fiquei in chocks e comprei o primeiro pela internet, porque né...

A história se passa na Londres do século XVIII, ao redor de Julian Kenwood, o conde de Colinsmoor. O pobre homem casou-se com o demônio em pessoa sem saber: sua esposa Beatrice, uma bela jovem com dotes - físicos - extraordinários, uniu forças com Arthur Kenwood, o tio de Julian, a fim de lhe tomar o poder. Além de compactuar contra o marido, ainda se deitava com metade do país, por pura luxúria. Depois de anos convivendo juntos, o conde finalmente descobriu parte da verdade. Para aumentar seu sofrimento, o herdeiro de seu patrimônio nasceu morto. Assim, ele desistiu da vida e se entregou de vez aos prazeres do álcool e dos prostíbulos.

Porém, Julian não sabia que a morte de seu filho era só mais uma armação da dupla de canalhas. Beatrice trocou o bebê por outro à beira da morte (pois se Julian tivesse um herdeiro, os planos de Arthur se tornariam mais complicados), fruto de uma mulher pobre e viúva, Laurel Wherlocke. Abandonou a criança com a moça, quase morta por conta do parto e enterrou o natimorto como seu. Mas escondida em um cantinho, só observando e esperando o momento certo para aparecer, estava Chloe Wherlocke, irmã de Laurel. Depois de se despedir, ela pegou o bebezinho para si e o criou à sombra da sociedade. Quando necessário, apresentava-o como seu sobrinho.

Durante um tempo de três anos, Chloe e seu primo Leo trataram de cuidar de Julian, vigiando seus passos de um modo furtivo: sobre as famílias Wherlocke e Vaugh, correm boatos de maldições, dons, visões, essas coisas. Os boatos são verdadeiros. A jovem é capaz de sentir ou prever o futuro. Em toda a sua família, há poderes desse tipo: o primo Modred é capaz de ler os sentimentos das pessoas, por exemplo. E, dessa maneira, ela cuidava para que Julian não saísse ferido das tentativas incansáveis de Arthur e Beatrice em matá-lo. Nessa brincadeira, Julian acaba se unindo a Chloe e Leo, e juntos começam a fazer os preparativos para desmascarar o tio e a esposa.


De começo, a narrativa me deixou bem irritada. A quantidade de pronomes "que" é excessiva, assim como as expressões "as/os tais". Portanto, olhava torto pro livro, de má vontade. Não parei de ler porque o romance entre Chloe e Julian estava ficando muito bom! Isso porque era meio proibido, pois o rapaz ainda era casado com a megera. Mas o conde queria ver o diabo de pênis ereto, mas não Beatrice! Portanto, o desejo entre os dois só vai crescendo e evoluindo para uma paixão ardente. Por isso algumas pessoas reclamaram da falta de relação entre as atitudes dos personagens e a época que viviam: o casal é bem safadinho! Logo, se você é religioso ou não gosta de cenas picantes - BEM picantes! - não chegue perto de "A Vidente".

Além da safadeza (haha), gostei do estilo de Hannah - depois de me acostumar com cinco "que" por período -. Ela escreve em terceira pessoa, mas não se restringe a um só personagem por capítulo. A narração salta de Chloe para Julian em questão de parágrafos, sem tornar a leitura confusa. Nunca tinha visto algum autor fazer isso antes.

Outro ponto positivo: a força das personagens femininas. Temos a direta Lady Marston, uma milady que de senhora não tem nada. Ela não tem medo de falar na frente, sabe? Se for preciso, sacode o dedo até na cara da Rainha! Tem também a mãe de Julian, Lady Evelyn. Antes uma lady bem educada, perfeita condessa, até descobrir as atrocidades cometidas contra o filho e um neto vivo, quando ela se une à causa e ajuda bastante na luta contra o tio malvadão. Durante um curto período, temos também contato com Simone, uma espiã francesa que esconde canivetes embaixo das saias. Mas gosto mesmo é da Chloe. Ela é doce e diferente das outras mulheres: não sente necessidade em andar toda embelezada e odeia eventos sociais. Numa época onde aparência é tudo, Chloe prefere a naturalidade. Julian a descreve com perfeição no seguinte parágrafo:

"Julian sorriu ao ouvir a resposta que não passou de um gemido. Após passar anos à procura de mulheres elegantes, refinadas e bem educadas na arte da feminilidade, ele percebeu que uma das coisas que mais apreciava em Chloe era justamente o seu jeito natural. Chloe não escondia quase nada sobre si mesma, não se fingia de recatada - isso fazia com que ele se sentisse mais confortável quando estavam juntos do que jamais tinha se sentido na presença de qualquer outra mulher.", pág. 116

Quero mostrar também esse exemplo de como Chloe não é uma mulher convencional para a época:

"Deixando de lado a surpresa por Chloe não estar sentada quietinha, com as belas bochechas enrubescidas, esperando que seu destino fosse decidido por homens, Julian olhou para os dois primos." pág. 82

Entenderam? Apesar de frágil, ela não faz o tipo "mocinha em perigo" e adoro mulheres fortes, determinadas, que não têm medo das reações masculinas, principalmente se for no século XVIII.

Considerações finais: LEIAM. Pode não ser o melhor romance do mundo, mas pra mim valeu muito a pena!

Beijos e até a próxima :)

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