Identidade Roubada, Chevy Stevens

Oi, gente bonita =)
Não irei enrolar hoje, porque vocês precisam ler essa resenha!

Annie O'Sullivan é o meu tipo de mulher: independente. Ela é uma corretora bem sucedida, solteira e mora na casa perfeita (comprada com seu próprio dinheiro). Em um dia comum de plantão de vendas, um sujeito aparece interessado na casa. Não muito bonito, mas extremamente simpático. Tudo corre bem, até a hora em que uma arma é apontada para suas costas e Annie é obrigada a entrar em uma van. Sem chance de escapar, ela vai parar em um chalé no meio das montanhas onde será trancafiada por um ano. Lá, é submetida aos caprichos do Maníaco, o sequestrador. Durante esse inferno, é obrigada a servir de esposa perfeita para um cara completamente pirado da ideias.

Annie revela sua história a uma terapeuta durante vinte e seis sessões (não a primeira com a qual se consultou, mas sem dúvida a mais eficiente) enquanto tenta desvendar alguns mistérios do seu sequestro. Durante esse processo, Annie tenta juntar os caquinhos restantes da sua vida. Depois de uma tragédia desse porte ninguém volta a ser o mesmo.


Identidade Roubada é um livro pesado. A carga psicológica dele é muito grande. Também pudera! Ter sua rotina controlada por um estranho, sentir sua vida nas mãos de outra pessoa... Parece bobeira quando se fala assim, mas quando me colocava no lugar de Annie, a dimensão do cativeiro se tornava real. Penso que não poderia mais dormir até meio-dia, comer chocolate antes do almoço ou ler quando quisesse. Todos esses pequenos hábitos fazem parte da nossa personalidade e quando são tirados de nós, perdemos a identidade. Mas no caso de Annie, absolutamente tudo foi tirado dela, até a luz do dia. E para alguém independente, o efeito dessas privações é ainda maior. Antes não era preciso pedir permissão para nada. Agora, qualquer movimento não dependia mais só de sua vontade.

O Maníaco (se apresentou à vítima como David, o nome do pai dela. Analisem o tamanho da loucura!) é um personagem repetido pra mim. Já o vi em 3096 Dias, de Natascha Kampusch (mas nesse caso o sujeito realmente existiu). A questão é que tanto o psicopata real quanto o fictício queriam construir uma família de seriado americano: perfeita. Desejavam um retrocesso no tempo, não uma mulher moderna. No caso real, isso não era possível porque, bom... Natascha era apenas uma criança e não podia ser vista, pois eles moravam numa casa no meio da cidade. Mas na ficção, longe da vista dos outros, tudo é possível. E o Maníaco colocou seu plano doente em ação. Fez de Annie a esposinha perfeita. Ela limpava, cozinhava e dava prazer à ele.

Imaginem o quanto essa situação não ferrou com Annie... Quando conseguiu fugir do chalé, sua vida ficou de pernas pro ar. Primeiro porque se livrar dos hábitos do Maníaco - impostos à força - é uma tarefa complicada, uma vez que seu cérebro estava preso a eles. Segundo porque falar sobre o assunto era extremamente doloroso. Terceiro e pior: os repórteres. A mídia estava interessada na sua desgraça, mas tirar vantagem daquela história parecia errado. Não posso contar o porquê.

Todos os personagens do livro são únicos e fundamentais. Uma me chamou atenção: Lorraine, a mãe da protagonista. É uma mulher linda, sexy e extremamente perturbada. Quando lia as cenas de memória que retratavam a relação de Annie com Lorraine, ficava indignada. A mulher me parecia extremamente imatura, cheia de atitudes infantis. Brigava por coisas bobas, era teimosa, de fazer birrinha mesmo. Não simpatizei com ela.

Bom, querem um conselho? Não leiam se vocês forem sensíveis demais. Confesso ter ficado um pouco impressionada, com medo, sabe? Porque afinal, essas coisas acontecem de verdade, principalmente com mulheres. A possibilidade parece distante pra nós, mas não é. Todo cuidado é pouco.

Dou uma nota 100 de 10 nesse livro. Chevy Stevens me conquistou nessa leitura e quero muito ler suas próximas obras.

Um beijo! =)

P.S.: Eu poderia contar detalhadamente as primeiras duzentas páginas e o final continuaria surpreendente.


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