[Book Tour] Tortura Cor-de-Rosa, de Lycia Barros

Oi, gente!
Coloquei recentemente o banner do book tour ali do lado. Fiquei muito animada em fazer parte dessa experiência e não me arrependi nem um pouco. Não só porque esta resenha será positiva, como também porque até agora não deu nenhum problema, tudo está correndo conforme o combinado.

Em "Totura Cor-de-Rosa - Porque as meninas também saber ser crueis", conhecemos Ava, uma mineira filha de militar. Pra quem não sabe, é comum os militares se mudarem muito, pois eles recebem incentivo ($$) pra isso. Assim, Ava rodou várias cidades do Brasil e foi obrigada a se despedir dos amigos repetidas vezes. Com o tempo, resolveu não se apegar demais, porque né? Imagina só ser obrigada a dizer adeus às melhores amigas mais de três vezes ao ano! Consegue se imaginar fazendo isso? Pois é. Então a branquinha de cachos indomáveis tornou-se tímida e fechada. Pra piorar, sua mãe Clara, não é das mais carinhosas. A única relação 100% boa da sua vida é com o pai Tadeu.

Como resultado de mais uma das mudanças, Ava foi parar na maior cidade do Brasil: São Paulo. Na nova escola, ela tenta ser como antes, passando despercebida. Porém, logo de cara, Ava acaba se metendo com a rainha do colégio, a Jaque (parece coisa de filme americano, mas todos sabemos que essa é uma realidade) e a partir daí, a toda poderosa e sua gangue de bitches dedicam grande parte do seu tempo em fazer da vida de Ava um verdadeiro inferno. Somados a isso, temos as notas baixas, a melhor amiga Yoshie também ameaçada, um problema familiar extremamente doloroso e um grande amor correspondido, que parece impossível. E agora, José?

Pode até existir, mas nunca vi um livro cujo foco fosse o bullying. Na maioria das vezes, ele acaba sendo uma consequência da trama e não O tema principal. Esse foi um dos motivos para eu me inscrever no book tour, além da experiência inédita. Aliás, gostei muito de participar! Era pra eu ter enviado o livro hoje, mas está chovendo bastante aqui no Rio.

Primeiramente, gostaria de ressaltar um ponto importante no enredo: a religião. Ava e sua família são protestantes, portanto os valores e atitudes deles correspondem, muitas vezes, ao que está escrito na bíblia. Apesar da forte presença de Deus na vida dos personagens, os não-cristãos - como eu - não se sentirão ofendidos. Assim, alguém poderia dizer "não vou ler esse livro porque sou espírita/budista/católico/ateu", mas não é como se Lycia tentasse te converter nem nada do tipo. Obviamente, um dos objetivos dela é mostrar como Deus pode te ajudar em momentos difíceis, porém não é nada insistente nem massante. Ela deixa a mensagem e cabe a você seguir ou não. Entende?

Além disso, gostei muito da narrativa. É bem tranquila, fácil de ler e muito bem escrita. Tinha comentado na resenha anterior sobre o estilo de Hannah Howell, como ela pula de personagem em personagem durante os capítulos. Me surpreendi quando vi Lycia fazendo isso. Vira e mexe entramos na cabeça de Yoshie, Lucas (o amor de Ava) e até Tadeu, por breves períodos.

Pra mim, "Tortura Cor-de-Rosa" seria perfeito para atividades extra-curriculares. A maioria dos livros que li na escola eram chatos por serem fora da atualidade. Esse não, ele é bem próximo da gente por se passar em um ambiente conhecido por todos e narra situações comuns no dia a dia de todos os estudantes. Quem nunca praticou ou sofreu bullying com certeza está mentindo, desculpe. Às vezes a gente nem percebe ou é sem querer, mas uma hora ou outra acaba acontecendo. Além disso, seria uma ótima lição para a direção das escolas. Como percebemos na história, nem todos os diretores ou coordenadores estão preparados para lidar com essas brincadeiras "inofensivas".

Impressão final: recomendo. Lycia superou minhas expectativas, sério mesmo.

P.S.: Quem quiser ler as outras resenhas de "Tortura Cor-de-Rosa", é só clicar aqui.

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